
Eu acompanho Oscar fazendo apostas desde 2000 e acho que nenhum desses 8 anos foi tão bom quanto esse. Todo mundo sempre reclama que a premiação é muito previsível e que a maioria dos vencedores são decididos meses antes. Esse ano não.
Ao contrário da infeliz e surpreendente vitória de Crash ano passado, esse ano as surpresas foram excelentes.
O Labirinto do Fauno ganhar direção de arte foi ótimo, mas muita gente já havia previsto isso. Maquiagem foi barbada. Fotografia foi um espetáculo. O trabalho do Navarro no filme é perfeito e eu nem fiquei chateado do Lubezki ter perdido.
O povo que vota em filme estrangeiro é o branch mais estranho da Academia. E agora eu vou ter que ver A Vida dos Outros porque pra tirar o premio do del Toro tem que ser muito foda.
A melhor surpresa da noite veio com figurino. Maria Antonieta, que mesmo sem eu ter visto, ganharia meu voto só pelo trailer.
Pra não deixarem Babel de mãos abanando, deram trilha sonora pro Santaolalla, o que na minha opinião foi o maior erro da noite. Qualquer um dos outros dois filmes que eu vi nessa categoria (A Rainha e Fauno) ganha dessa trilha facilmente. Se não tivesse um screw up não era o Oscar.
Nenhuma das três musicas das Dreamgirls conseguiu parar a combinação perfeita pra Academia: cantora lésbica + filme ambientalista. Dois coelhos com uma cajadada só. E ainda sobrou mais um pra Uma Verdade Inconveniente. A aula em power point do Al Gore ganhou documentário, como já era mais do que esperado.
Nas categorias de atuação, nada de novo. A monarquia reina soberana com A Rainha da Helen Mirren e O Último Rei da Escócia do Forest Whitaker, duas categorias gabaritadas por meio mundo. Nos coadjuvante a nova princesinha da América e possível atriz sem rumo, Jennifer Hudson e seu gritos estridentes em Dreamgirls e o vovô simpático e viciado de Alan Arkin
Nos roteiros o mesmo. O excelente trabalho de William Monahan trazendo Hong Kong pra Boston com Os Infiltrados e mantendo a tradição de filmes indies em roteiro original, Pequena Miss Sunshine.
Tudo isso não foi nada. O melhor ainda tava por vir. Um ítalo-americano de sobrancelhas grandes, óculos idem, voz inconfundível e competente como ninguém quando o assunto é fazer filmes. Pode comemorar mundo cinematográfico, Martin Scorsese finalmente tem o seu Oscar.
E só direção não era suficiente. Receber das mãos de Coppola, Spielberg e Lucas não compensava 7 tentativas falhas. Os Infiltrados sai como o mais premiado da noite com 4 prêmios: filme, direção, roteiro adaptado e montagem.
Tudo estaria ótimo se não fosse por um detalhe: meu score. 12/21. 57,1%. A melhor festa e o meu pior ano como oscarwatcher. No problem. Se todo ano fosse tão bom quanto esse eu seria uma pessoa mais feliz.



