2.25.2008

Blasé


Foi uma cerimônia morna. Talvez pelo fato de eu não torcer por ninguém. E Oscar bom é o que tem torcida. Eu torci pelo Scorsese. Pela Rachel Weisz. Pela Kate Winslet e pelo Charlie Kaufman. Pela Naomi Watts, pelo Bill Murray, pela Sofia Coppola, pelo Peter Jackson e pelo Daniel Rezende. Esse ano, nada. Ok, talvez pela Ellen Page. Mas ela tem 15 anos - 21, eu sei - e um Oscar a essa altura ia destruir a carreira dela. Ia viciar em cocaína, vender a estatueta pra pagar o traficante, sumir do mapa e a gente nunca mais ia ver aquela carinha de bebê. E Ratatouille também. Mas é animação e a gente sabe que a Academia não premia animação fora do seu habitat natural.

Então eu sentei no meu sofá e esperei o anúncio dos vencedores, tranqüilamente. Vi as alegorias e adereços de Elizabeth levarem figurino. Vi Brad Bird bicampeão. Vi a grande surpresa da noite ser um prêmio de Efeitos Visuais pra The Golden Compass. Vi Javier Bardem falar espanhol. Vi o paredão do Big Brother enquanto a menina de August Rush gritava her ass off. Vi a Tilda Swinton ganhar a melhor categoria da temporada. Vi os Coen subindo ao palco pela primeira vez e a cara de "grandes merda" de ambos. Vi o Kevin O'Connell perder pela vigésima fucking vez. Vi a Marion Cotillard toda bonitinha, toda francesinha fazer o melhor dos não muito empolgantes discursos da noite. Vi uma foto do Roderick Jaynes. Vi a dupla simpatiquinha de Once ganhar melhor canção, provando que a Academia às vezes tem bom gosto e que o número de suporters do filme é maior do que eu esperava (não é todo dia que o apresentador te chama de volta pra terminar o discurso). Vi uma ex-stripper e atual roteirista mais famosa do momento ganhar o Oscar de vestido de oncinha. Vi a Helen Mirren mostrar porque é foda só ao anunciar os indicados. Não vi o Daniel Day-Lewis falar do Heath Ledger. Vi os Coen subirem ao palco pela segunda e terceira vez, dizerem obrigado e contarem uma historinha de infância. E fui dormir. And I had dreams. Two of 'em. Both had my father in 'em. It's peculiar. Até o ano que vem.

***

Acertei 12/20 dos meus palpites. Pior ano ever.

2.21.2008

Oscar: previsões finais

O post vai ser editado ao longo do fim-de-semana. Que venham as surpresas!

FILME: No Country For Old Men

Por quê?: por que não?, seria a pergunta. Ganhou tudo o que podia e tudo o que não deveria na temporada. Clear frontrunner, vitória garantida.

DIRETOR: Ethan e Joel Coen (No Country For Old Men)

Por quê?: o mesmo se aplica aqui.

ATOR: Daniel Day-Lewis (There Will Be Blood)

Por quê?: um ator respeitadíssimo que só trabalha quando quer. Mesmo. E o fato de já ter ganho um há quase 20 anos não atrapalha, muito pelo contrário.

ATRIZ: Julie Christie (Away From Her)

Por quê?: veterana, Golden Globe e SAG na estante. Porém, Marion Cotillard = Golden Globe e Bafta na estante e Ellen Page = nada na estante e apoio incondicional do Roger Ebert. O problema é que eu não vejo nenhuma das duas subindo no palco do Kodak e aceitando o prêmio das mãos do Forest Whitaker.

ATOR COADJUVANTE: Javier Bardem (No Country For Old Men)

Por quê?: a atuação (e barbada) do ano, friendos.

ATRIZ COADJUVANTE: Ruby Dee (American Gangster)

Por quê?: a melhor categoria da noite. Eu aposto na Ruby Dee não só pelo SAG, mas por ela ser uma senhora de idade. E negra. That's very in lately.

ROTEIRO ORIGINAL: Juno

Por quê?: de uns anos pra cá essa categoria se transformou em prêmio de consolação. A maior bilheteria entre os indicados principais não pode sair de mãos abanando.

ROTEIRO ADAPTADO: No Country For Old Men

Por quê?:
eu pensei e repensei essa categoria e acho que vai dar Coens de novo. Afinal, There Will Be Blood já vai sair com uns três na mão, não precisa de consolação aqui.

FILME ESTRANGEIRO: The Counterfeiters

Por quê?:
parece ser o consenso e é o mais "famoso" entre os indicados.

ANIMAÇÃO: Ratatouille

Por quê?: anyone can cook.

MONTAGEM: The Bourne Ultimatum

Por quê?:
vou com o Guild. Os Coen estão com moral, mas não acho que tanta assim.

FOTOGRAFIA: There Will Be Blood

Por quê?: "Eu voto no trabalho do Roger Deakins que é excepcional ou no que vai ganhar Melhor Filme?". Dá nisso.

DIREÇÃO DE ARTE: There Will Be Blood

Por quê?:
mais uma vez pelo Guild.

FIGURINO: Atonement

Por quê?:
Elizabeth não ganhou pelo filme bom, não deve ganhar pelo filme ruim. Colleen Atwood ganhou ontem. E antes de ontem.

EFEITOS VISUAIS: Transformers

Por quê?: box office, Michael Bay, etc.

MAQUIAGEM: La Vie En Rose

Por quê?: Frida ganhou aqui por muito menos. E Norbit Oscar winner seria dose né?

TRILHA ORIGINAL: Atonement

Por quê?:
das quatro que eu ouvi, é a melhor. O que não quer dizer nada. Mas o povo que entende também acha.

CANÇÃO ORIGINAL: "Raise it Up" (August Rush)

Por quê?: as três de Encantada se anulam e a de Once é boa demais pra ganhar um Oscar.

MIXAGEM DE SOM: Transformers

Por quê?:
não só pelo Kevin O'Connell, mas pelo Kevin O'Connell + Greg P. Russell.

EDIÇÃO DE SOM:
Transformers

Por quê?:
resolvi ir com o mais barulhento. But No Country is right behind.

2.20.2008

MacGyver on yogurt


A FOX começou a re-exibir ontem Burn Notice, previamente vista no primo pobre FX. A série, sobre um agente que descobre que foi "burned" durante uma missão na Nigéria, acorda em Miami e passa os próximos 12 episódios tentando descobrir o quem e o porquê de sua demissão, é uma das coisas mais divertidas da temporada.

A série é simples, direção sem muita inovação, nada de shaky-camera, edição frenética ou fotografia espetacular. O roteiro também não é a coisa mais genial que esse mundo já viu. Um caso por episódio e uma pista a mais no caso da demissão. Por que assistir a série, então? Diversão, como eu já havia dito. A série não se leva a sério em nenhum momento, é totalmente despretenciosa. Ao estilo de Psych, da mesma USA que a exibe lá fora, mas menos pastelão.

O elenco, com quatro atores fixos apenas, é uma maravilha. Jeffrey Donovan (só eu acho ele a cara e a voz do Seinfeld?) como Michael Westen é o MacGyver moderno com uma obsessão por iogurte. Gabrielle Anwar, sub-aproveitada em The Tudors, é a ex-namorada, agente do IRA e especialista em armas. Bruce Campbell é o amigo mulherengo, ex-agente e o meio entre Michael e o FBI e Sharon Gless é a mãe carente.

Simples assim. Agente demitido fazendo bicos em Miami com a ajuda dos amigos e tentando descobrir o motivo de seu afastamento. Diz a FOX que o piloto reprisa domingo, às 9 da noite. Dublado, claro. A escolha é sua: colocar o sap ou o torrent pra funcionar.

2.16.2008

Comentários rápidos sobre os últimos filmes vistos


Porque fazer as pazes com o cinema em final/início de ano sempre rende bons frutos.

Juno (Jason Reitman, 2007)

Ah, os little indies that could. Eu não resito. Um ótimo filme que merece todos os elogios que vem recebendo. E o crédito pela qualidade da obra não é só da nova queridinha de Hollywood, Mrs. Diablo Cody, e sim - e principalmente - do Jason Reitman e do elenco espetacular. Major kudos para Ellen Page, perfeita; Michael Cera, o melhor nerd que esse cinema já viu e Jennifer Garner, fazendo muito com muito pouco.

Onde Os Fracos Não Têm Vez (Coen Brothars, 2007)

Pra começo de conversa: não sou fã dos Coen, muito pelo contrário, acho eles muito overrated. Fargo pra mim é bonzinho e nada mais do que isso. Ou seja, não fui ao cinema esperando ter orgasmos por todos os orifícios. Fui com esperança de encontrar um bom oscar winner. E não encontrei. I mean, é um grande filme. Mas não é o melhor dos 5. Too bad. Mas vamos às partes boas: Javier Bardem está excepcional, de fato. Tommy Lee Jones também, uma pena não ter o devido reconhecimento. Som absurdo, Roger Deakins eficiente mais uma vez. And that's all.

O Gângster (Ridley Scott, 2007)

Taí uma surpresa. Não dava um tostão furado, até porque se você pegar os últimos filmes do Scott não salvam dois. As duas histórias são muito bem contadas e eles preparam muito bem o terreno até o encontro final. Denzel Washington provando que não envelhece mais está muito bem, Russell Crowe fazendo Russell Crowe (só faltou jogar um celular na cara de alguém) está bem mal e a Ruby Dee não faz porranenhuma. E eu estou com medo dela ganhar o Oscar por isso.

4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Cristian Mungiu, 2007)

É uma experiência cinematográfica no mínimo intensa. O realismo aqui é impressionante. O passar do tempo é retratado de maneira perturbadora. A câmera o Mungiu não conta uma história, faz parte dela. Eu podia ficar aqui com essas palavras baratas durante horas, então serei breve: performances espetaculares da Anamaria Marinca e do Vlad Ivanov, história contada brilhante e perturbadoramente, saída do cinema com sensação de mal-estar. Assistam esse filme.

2.14.2008

Indiana Jones and the kingdom of the shenanigans

Saiu o trailer. Mostra pouca coisa, mas holy shit, eu quero ver esse filme ontem.

2.13.2008

Notícias, coisa e tal


A Tina Fey vai apresentar o SNL da volta da greve, dia 23 desse mês. Pra quem não sabe, a Fey era redatora-chefe do programa quando saiu pra fazer 30 Rock. Agora volta em cima da carne seca, com um Golden Globe e um SAG na bagagem. Jimmy Fallon deve estar morrendo de inveja.

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A TNT anunciou uma série nova. Leverage, sobre "a team of thieves, hackers and grifters who act as modern-day Robin Hoods, taking revenge against those who use power and wealth to victimize others." Boooring. No elenco, Timothy Hutton e um bando de coadjuvantes desconhecidos. O piloto foi escrito por John Rogers (Transformers e Mulher-Gato) juntamente com Chris Downey (The King of Queens) e dirigido por Dean Devlin (Independence Day e O Patriota). Sério, olhando esses currículos não deu pra animar muito não.

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Na Showtime as coisas andam mais interessantes. A emissora anunciou a produção de um "drama farmacêutico" sob a alçada de Tim Robbins com o sugestivo título Possible Side Effects. Elenco a definir. Enquanto isso, na mesma Showtime, The United States of Tara, série da Diablo Cody (Spielberg who?) ganhou um diretor pro piloto: Craig Gillespie, de Lars and the Real Girl. Só lembrando que a Showtime já tem na grade Dexter, Weeds e Californication, pra citar apenas as que eu assisto.

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How I Met Your Mother volta dia 17 de Março. Sete episódios e se eu não vir nenhum sinal da mãe a coisa vai ficar complicada. Até porque uma quarta temporada parece cada vez mais distante.

Fontes: TV Guide, Variety, Hollywood Reporter. The usual.

Cat fight

Vou falar uma coisa que pode ser surpreendente pra alguns: Natalie Portman dá de 10 na Scarlett Johansson quando o assunto é beleza.

Quando o assunto é talento também, mas isso não é supresa pra ninguém. Nem pra Scarlett.

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As duas estão juntinhas em um ensaio pra revista W, divulgando o filme The Other Boleyn Girl (aka The Tudors 2.0), onde fazem as irmãs Bolena, que lutam no gel pelo Rei Henrique VIII. Ou quase isso.

Via tecoapple.

2.11.2008

Reclames

Já está no ar o fórum do Guia de Seriados. Uma galera esperta e muito descontraída em altas confusões! Você não pode deixar de participar! Sério, entra aí. Um projeto muito bacana do Leco e do TB, com participações humildes do Eric e do Daniel, do Série Maníacos e desse que vos fala.

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O Vinícius e o Fábio estão organizando um bolão do Oscar 2008. O vencedor ganha um entusiasmado parabéns. Quer coisa melhor que isso? Sério, participa lá. Grandes chances de você terminar em segundo, porque o primeiro lugar já tem dono. Rá.

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O sétimo (já?!) PodManíacos também está no ar. Dessa vez eles reuniram a gangue toda pra falar do retorno de Lost, o provável fim de Friday Night Lights, a bebedeira de Paula Abdul no American Idol entre outras coisas. Por incrível que pareça, ficou organizado. Ouça aqui, baixe aqui ou vá lá no Série Maníacos onde eles explicam diretinho.

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Quem quiser anunciar alguma coisa, aproveita. A quantia a gente combina em off. Cash only.

2.09.2008

Comentários rápidos sobre as últimas séries vistas

Antes que complete um mês sem atualização.


Eli Stone (1x01 Pilot)

O pouco que eu tinha visto daquela versão que vazou há um tempo atrás (e que estava com problema de sincronia de áudio e eu fiquei com preguiça de baixar de novo) não me agradou. Muito bobinho, muito engraçadinho, muito ABC. Bom, refilmaram algumas cenas, vi até o final, o áudio estava certinho e there you go, I liked!
O elenco é muito bom (Sick Boy, Papa Bristow, Ed), o pessoal por trás das câmeras é competente e eu só espero que eles saibam dosar o nível de ridículo nas alucinações.

Friday Night Lighs (2x14 Leave No One Behind)

Oh, good old FNL, I missed you. Depois de umas derrapadas (aparentemente explicáveis) a série parece ter se encontrado de novo. O último episódio já mostrava sinais de recuparação e esse veio pra mostrar que a gente não vai se despedir de Friday Night Lights com episódio porcaria. Eu espero.

House (4x11 Frozen e 4x12 Don't Ever Change)

Dois bons episódios. O pós-Superbowl foi melhor, boa parte disso graças a presença da Mira Sorvino. A história foi muito boa e fundamental pra mostra que House ainda pode se reinventar. O outro foi um pouco abaixo, mas a história também foi bastante interessante. A abertura foi uma das melhores que a série já fez (e com abertura eu quero dizer a cena que passa antes da abertura, não a abertura em si. Mas acho que deu pra entender). E eu fico com um pé atrás nessa relação Wilson/Cutthroat Bitch. Just saying.

Lost (4x02 Confirmed Dead)

Bem longe da qualidade de "The Other 48 Days". Aliás, nem sei porque a comparação entre os dois episódios, mas enfim. Quatro novas pessoinhas na ilha. Duas deveras interessantes (Dan e Ghostbuster), duas nem tanto (as outras duas, uai). Teve seus momentos (Locke e o não-rim, Locke e Ben, a sequência inicial), mas no geral foi chato. Six to go.

The New Adventures of Old Christine (3x01 The Big Bang)

Christine é uma série inconstante. Alguns episódios são hilários, outros são forçados e alguns são só bons. Esse foi um dos só bons. Nada muito interessante, Christine com medo de fazer sexo, o irmão largando a faculdade de medicina e Blair Underwood batendo cartão em mais uma série. Edit: então, eu tava pensando e na verdade o Blair Underwood só participou de duas séries recentemente: Dirty Sexy Money e Law & Order: SVU. Acho que foi a participação dele no SAG que me deixou com a impressão de que ele tá em tudo que é lugar.